O volume de conhecimento produzido aumenta consideravelmente dia após dia. Isso faz com que a experiência acumulada, mesmo quando se trata de bons profissionais, não seja garantia de um desempenho sempre positivo.

Frente a novos cenários e a um mercado que se reinventa em intervalos de tempo cada vez menores, as empresas não podem mais se arriscar a tomar decisões e desenvolver planejamentos sem o apoio de ferramentas e métodos que consigam dar um suporte realmente consistente.

A busca por informação estratégica e atualizada que realmente consiga fornecer uma vantagem competitiva para a empresa no momento necessário passa, sem dúvida, pelo desenvolvimento do Business Intelligence. Em uma época em que cada decisão pode significar o sucesso ou o fracasso do empreendimento, a margem de erro é bem curta.

Entendendo o Business Intelligence

Informação é um dado que se sabe e que faz algum sentido, especialmente quando aplicado a um contexto específico. Ao ter informação, um gestor ganha suporte e mais chances de tomar decisões de forma correta.

O problema é que a informação é algo extremamente perecível e limitado. Para alguém que acorda de manhã e se prepara para ir ao trabalho, talvez possa ser importante conferir a previsão do tempo. Assim, ela poderá se anteceder a situações um pouco mais desconfortáveis, como chuva ou frio.

A informação recebida da previsão climática em um determinado dia — ou mesmo semana — é algo que fica ultrapassado em pouco tempo. Por isso, constantemente vai ser necessário rever a previsão.

A questão é que, acumulando algumas informações, que podem até vir de fontes diferentes, foi possível perceber que há um padrão climático que sugere, a cada ciclo de repetição, um comportamento parecido. Assim, embora não saibamos exatamente qual é a temperatura, a força dos ventos e a umidade do dia seguinte, detemos o conhecimento de que, no Brasil, épocas de calor são mais chuvosas do que as de frio.

No ambiente corporativo, o raciocínio é o mesmo: o conjunto de informações que são agrupadas e trabalhadas de acordo com um determinado método começa a oferecer o conhecimento sobre um assunto.

A chave de tudo é o reconhecimento de padrões. É natural, por exemplo, que o mercado de turismo se aqueça em épocas de férias escolares, que o comércio tenha maior expectativa de vendas no final do ano, que sorvetes e picolés sofram uma baixa significativa nos meses em que faz mais frio e que o público nacional opte por viagens internacionais quando o câmbio tem a nossa moeda mais valorizada.

Esse tipo de conhecimento é algo que já foi aprendido e até superado. Ao trabalhar por mais tempo e buscar informações sobre um determinado mercado, os gestores atentos conseguem, com alguma facilidade, dominar as bases da rotina que envolve o ramo e, assim, desenvolver estratégias empresariais que consigam oferecer melhores ganhos para as organizações.

Acontece que o conhecimento, além de também precisar ser atualizado, é afetado pelo número e pela qualidade das informações que são apresentadas todos os dias. Isso faz com que a chance de se acertar uma previsão fique cada vez maior, já que a margem de erro também está cada vez menor.

Como temos um limite de tempo disponível para o estudo de cenários, identificação de fontes e de informações que são realmente relevantes e como há busca por uma forma de estruturar tudo isso de maneira a produzir um raciocínio lógico que consiga oferecer conhecimento sempre atualizado e aplicável, foi preciso criar ferramentas computacionais que conseguissem ajudar nessa tarefa.

Um dos maiores desafios é traduzir toda a necessidade de cada negócio específico na criação de um sistema que possa realmente lidar com uma carga de dados bastante expressiva, mas que também tenha condições de produzir relatórios e indicadores que sejam realmente úteis dentro do tempo necessário.

A partir dessa necessidade e com muita ajuda da informática, criou-se o Business Intelligence.

Ferramentas do Business Intelligence

Olhando de cima, o Business Intelligence realmente impressiona. Com uma proposta de conseguir atender gestores tanto no planejamento e desenvolvimento de projetos como também na adequação de processos internos, ele tem uma versatilidade bastante interessante, o que o torna uma ferramenta coringa e com grande aplicação.

Também conhecido como Inteligência de Negócios, chamado de Inteligência de Mercado ou ainda simplesmente de BI, o Business Intelligence tem o difícil desafio de produzir resultados em meio a ambientes completamente diferentes. Para conseguir fazer isso de forma satisfatória e eficiente, ele é organizado em uma estrutura básica.

Unindo inteligência corporativa, visão estratégica, profissionais preparados e softwares específicos, o BI utiliza processos e ferramentas para conseguir produzir seus resultados.

Dentre essas ferramentas de Business Intelligence, algumas merecem ser entendidas para que todo o panorama possa ser percebido de forma mais clara e consistente.

O que as ferramentas vão ajudar a fazer

Tentando seguir uma lógica mais didática e que acompanhe os procedimentos adotados, o primeiro passo é entender como os dados são captados.

Vindo de fontes totalmente diferentes, seja de dentro ou mesmo de fora da empresa, tudo tem que ser colocado em algum lugar para que possa ser combinado, tratado e estudado. Esse lugar é um armazém de dados. A organização feita para que seja possível concentrar tantos dados para um só ambiente é o que se chama Data Warehousing.

Por meio do Data Warehousing, cria-se um repositório de dados que recebe informações que são trazidas de todos os lados. Essa é a base de todo o trabalho que virá em seguida.

Como muitos desses dados não são relevantes, ou pelo menos não no momento, a segunda parte do processo é fazer a mineração. Data Mining é exatamente essa etapa de filtragem. Assim como no passo anterior, vai ser necessário selecionar uma ferramenta que vai ser responsável por identificar o que é relevante.

Se o recebimento dos dados iniciais é algo importante, a fase de mineração não fica atrás. É nesse momento em que a exploração do repositório acontece e que são procurados padrões. A ideia é identificar grupos ou subgrupos de dados que, devidamente mapeados, vão revelar conhecimento novo é útil.

A busca pela identificação desses padrões é a atividade que vai conseguir agregar valor ao negócio, indicando futuramente o que precisa ser feito para que menos energia e investimentos sejam perdidos na operação da empresa. Quanto mais apurados forem esses resultados, maiores as chances de sucesso.

Em seguida, há o estudo dos relatórios que foram produzidos pela mineração e entra em cena o Analytics. Uma vez que o sistema busca gerar conhecimento aplicável relacionando toda a informação que estava disponível, é preciso organizar e dispor tudo isso de forma inteligível.

É feita, então, a construção de reports esclarecendo o que foi descoberto. Quanto mais objetivos e bem estruturados forem esses relatórios, mais fácil vai ser fazer o monitoramento estratégico de negócios e tomar decisões com base no que se conseguiu interpretar.

Os dois últimos passos são a Reengenharia de Processos, ou BPR, e o Benchmarking. Enquanto a reengenharia cuida de correção de rotas, redefinição de bases para a operação da empresa e ajustes estrategicamente pensados, o Benchmarking é, de uma forma bem objetiva, uma comparação de conhecimentos.

Podendo ser realizado entre áreas de uma mesma empresa e até entre organizações totalmente diferentes, a ideia dele é fazer um estudo de como algum tipo de rotina ou atividade macro é realizado por outros gestores na busca do entendimento do que poderia ser aplicado na realidade do negócio para proporcionar resultados melhores.

Tipos de ferramentas

Entendendo bem o processo pelo qual o Business Intelligence passa, fica mais fácil perceber que tipo de ferramentas são necessárias e qual deve ser o foco de cada uma.

Antes que se possa pensar diferente, é preciso deixar claro que existem vários tipos de software disponíveis. Cada um deles vai adaptar-se melhor à realidade de determinadas empresas que buscam a solução.

Trabalhando de forma combinada, como o volume de dados a serem tratados e a estrutura da organização podem ser bastante diferentes, as ferramentas são escolhidas a partir da melhor configuração para o desafio proposto.

Pode-se lançar mão de softwares em nuvem ou não e dos mais variados preços. Além disso, algumas ferramentas são capazes de fazer mais de uma função como as que foram relacionadas acima, enquanto outras são focadas em tipos extremamente específicos de tarefas.

Para desafios na área do marketing, há, por exemplo, o Adobe Analytics, que permite, em tempo real, implementar uma segmentação e análise de dados detalhados de forma que se consiga estudar as relações existentes entre os canais de marketing e o público da empresa.

Outra solução bastante famosa no mercado é o IBM Watson Analytics. Sendo oferecido em nuvem, o famoso Watson consegue orientar a exploração de informações de forma bastante inteligente e automatizada. Sendo muito adotado para tratar de avaliações e cenários preditivos, ele usa, inclusive, informações tiradas do Twitter.

Famoso também no mercado é o Microsoft Power BI. Prometendo uma visão completa da situação e com algumas referências de métrica bastante relevantes, essa solução é compatível com um grande número de bancos de dados, o que a torna bastante popular mesmo entre profissionais com perfis mais diferentes.

Como não podia ficar de fora, a Google engrossa a lista das ferramentas mais conhecidas. Por meio do Data Studio, a marca de fama global oferece um software focado em relatórios e acessibilidade sem deixar de lado, é claro, opções bem interessantes de personalização e compartilhamento.

Aplicação do Business Intelligence

Muita gente acha que o Business Intelligence tem uma aplicação mais voltada para ambientes de negócios com atuação na internet ou cujo nível operacional seja vinculado a soluções tecnológicas muito mais elevadas do que a média das empresas tradicionais, mas a coisa não é bem assim.

O que acontece, na verdade, é que, como o BI trabalha com informações digitalizadas, uma organização que esteja atuando com sistemas poderosos e por onde passem volumes de dados consideravelmente maiores acaba tendo um pouco mais de facilidade em coletar inputs para o Business Intelligence.

Assim, não é nem um pouco difícil imaginar que empresas como bancos ou operadoras de telefonia tenham mais afinidade com o assunto. Sendo cercadas por relatórios e números de todo o tipo, tratar tanta informação parece algo natural e até inerente ao negócio.

Outro erro é imaginar que a área de prestação de serviços tem muito mais a se beneficiar do que as demais. Talvez, de forma inconsciente, alguns gestores associem o Business Intelligence com mercados que não os relacionados aos setores industriais, produtivos ou ainda extrativistas.

A verdade é que as fontes de informação são de dois tipos: internas e externas. Ao se buscarem dados que vêm de fora da empresa, o ideal é contar com fontes mais confiáveis. O IBGE é uma instituição que disponibiliza relatórios atualizados sobre os mais variados assuntos e com um bom ritmo de atualizações. Além dele, outros organismos do governo, institutos, fundações e até ONGs podem ser fontes bem interessantes para o BI.

No caso das fontes internas, é preciso conseguir obter dados que venham da própria empresa ou ainda de uma cadeia produtiva. Nessa hora, é muito importante que se consiga providenciar meios de captação de dados.

A informatização da linha de produção ajuda bastante nessa tarefa. Esses números vão abastecer o repositório de dados, que permitirá que as ferramentas adotadas tenham uma base maior para identificar padrões e tendências.

Assim, para que indústrias, fábricas, produtores e afins tenham melhores condições de também se beneficiar da metodologia de Business Intelligence, é preciso preparar o negócio e conferir se a coleta de dados está abrangendo todas as áreas que tenham condições de fornecer insumos para os softwares utilizados no processo.

Exemplos da aplicação do Business Intelligence

Para tornar o assunto um pouco mais palpável, vale a pena avaliar alguns mercados e exemplos de como o Business Intelligence pode favorecer cada um deles.

Duas das áreas mais simples de se conseguir enxergar a aplicação são a de seguros e a financeira. Podem ser feitas análises comparando a evolução da economia, o nível de endividamento da população, movimentos de inadimplência, aplicações em diferentes tipos de opções financeiras, volume de vendas de imóveis e automóveis, etc.

A medicina é outro setor que muito tem a ganhar com o Business Intelligence. Além de poder ser explorada uma alternativa mais inovadora na busca do entendimento de padrões de doenças, epidemias, endemias e propagações de vírus, o próprio negócio, no que toca ao volume de cancelamentos de planos de saúde, nível de satisfação dos clientes e usuárias, dentre outros assuntos, pode claramente ser alvo de estudos.

Desenvolvendo e monitorando estratégias com o Business Intelligence

Continuando ainda com alguns exemplos de setores que podem se beneficiar com o Business Intelligence, mas olhando um pouco mais de perto a parte de desenvolvimento, elaboração de estratégias e mudanças de rota, passemos ao estudo de um player do ramo agropecuário.

No começo deste texto, foi citado um exemplo de uma pessoa que saía para trabalhar, mas, antes, conferia a previsão do tempo para saber se precisaria tomar alguma providência a respeito do clima.

De forma análoga, uma empresa do setor agropecuário também tem que se preocupar com as condições do tempo para definir suas estratégias para as próximas safras.

Ao buscar fontes de dados para conduzir mais lucrativamente o seu negócio, essa organização pode colher históricos de índices pluviométricos da região onde tem plantações, além de olhar as áreas de seus concorrentes.

Informações referentes ao crescimento ou redução do consumo e mudanças de hábitos alimentares também serão compiladas com os níveis de produtividade do terreno e a disposição e a margem de lucratividade de cada produto ofertado ao mercado.

No final das contas, a empresa desenvolverá um grande mapa estratégico com informações e indicadores que serão utilizados para a tomada de decisões quanto aos próximos investimentos.

Além disso, os gestores desse negócio poderão acompanhar de perto e em tempo real se as estratégias desenhadas estão conseguindo proporcionar o resultado esperado. Caso contrário, ações para a correção de rotas poderão ser tomadas, como redirecionar as vendas para canais de distribuição focados em áreas onde o preço de venda conseguirá ser maior e talvez até mesmo mudar políticas de exportação.

O papel de um profissional de Business Intelligence

Para entender um pouco mais sobre Business Intelligence, é preciso também observar o profissional por trás do processo. Com uma formação bastante técnica, mas não necessariamente restrita às tecnologias, essa pessoa tem que ter, antes de qualquer outra coisa, um olhar crítico.

Fazer contas, escrever linhas de códigos, gerar dashboards, compilar informações e manipular um banco de dados são atividades que fazem parte da rotina do profissional, mas nenhuma delas tem o menor sentido se os resultados não conseguirem ajudar a instituição a se adequar ao contexto, extrair ganhos reais e uma vantagem competitiva concreta.

Passado esse ponto, cabe agora falar um pouco mais sobre a composição curricular do profissional. Ele precisa conhecer bastante sobre as ferramentas utilizadas no Business Intelligence e acompanhar o que o mercado vem oferecendo como novas possibilidades.

Precisa também ter uma boa base de Data Warehouse e conhecimentos a respeito de bancos de dados. Assim, terá condições de ajudar no desenvolvimento do fluxo que resulta no conhecimento que se busca.

A título de complementação, algumas das principais responsabilidades desse profissional são:

  • elaboração de pesquisas e tendências de mercado;

  • organização e tratamento de informação;

  • análise da concorrência;

  • monitoramento de mídias sociais;

  • acompanhamento de inovações tecnológicas e marketing social.

Compilando todos essas habilidades e responsabilidades, o profissional de Business Intelligence tem um grande potencial de melhoria de resultados para a empresa.

Uma última coisa — e que não pode faltar — é a facilidade de comunicação e uma postura que favoreça o relacionamento interpessoal. Como ele provavelmente terá que interagir com áreas e departamentos muito diferentes e também ficará em constante contato com diretores e outros representantes de maior hierarquia dentro da empresa, é preciso garantir que a interface seja objetiva e bastante eficiente.

O reforço da inteligência competitiva com o Business Intelligence

Iniciamos este texto falando sobre como a informação bem tratada e manipulada de forma correta pode gerar uma melhoria do negócio. Agora, depois de repassados alguns conceitos e a forma como o Business Intelligence funciona, fica mais claro como ele pode ser aplicado e quais são os seus reais benefícios para cada organização.

Muito se fala na substituição de pessoas e trabalhadores por máquinas, mas é preciso que se perceba que essa discussão está diretamente ligada ao nível de evolução das atividades desempenhadas, sua relevância para o negócio e a capacidade produtiva.

O Business Intelligence é um método que ajuda gestores a conseguir enxergar melhor todo o panorama no qual está inserido o negócio e visualizar de forma sistematizada informações que podem ajudar na tomada de decisões tanto quanto na mudança de estratégias.

Assim, como o avanço da tecnologia favoreceu o barateamento de máquinas que hoje são fundamentais para qualquer empresa e como a internet trouxe um nível de conexão que catapultou o B2C e o B2B, o Business Intelligence chegou ao mercado como uma excelente forma de identificar oportunidades e ameaças ao modelo do negócio.

Pode-se, agora, unir todo o conhecimento corporativo, que é aquele acumulado pelos profissionais e demais stakeholders de uma empresa, a uma ferramenta que elimina as perdas proporcionadas pelo método de tentativa e erro, já que fica muito mais fácil identificar os caminhos mais proveitosos.

Por um viés mais generalista e acadêmico, é bem-aceito o conceito de Inteligência Competitiva como uma forma proativa de selecionar, captar e manipular informações úteis a respeito de clientes, concorrentes e de todo o mercado, traçando cenários e tendências para que seja possível encontrar as decisões mais acertadas a serem tomadas em cada caso, sempre considerando as janelas de curto, médio e longo prazo.

É nesse sentido que o Business Intelligence pode ajudar consideravelmente na gestão estratégica de negócios. Sabendo o que fazer com informações e dados disponíveis e conseguindo captar aqueles que ainda não foram digitalizados, o método pode indicar alternativas para que os gestores consigam produzir estratégias oportunas e lucrativas para suas empresas estarem sempre um passo mais perto da sua missão.

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